Lançamentos: St. Vincent, Juliana R., Cut Copy e Mount Kimbie

Por Alex Kidd

ST. VINCENT – MASSEDUCTION
No seu 6º disco, St. Vincent esconde um monstro atrás de uma embalagem pop. São 13 faixas pegajosas e dançantes que fogem da auto-ajuda: segundo a americana nos tornamos carentes (“Hang on Me”), fúteis (“Los Ageless) e pessimistas (“Fear the Future”). Os riffs estranhos que extrai da guitarra aliados aos beats do produtor Jack Antonoff (Lorde, Taylor Swift) intensificam a sensação claustrofóbica. Na metade do disco, a belíssima “New York” ilumina a distopia colorida criada por Annie Clark.
AVALIAÇÃO muito bom ★★★★
OUÇA “Los Ageless”, “Pills” e “Sugarboy”

 

JULIANA R. – TAREFAS INTERMINÁVEIS
O primeiro disco de Juliana R flertava com o indie pop, mas em “Tarefas Intermináveis” quem domina a cena são os sintetizadores. As oito faixas produzidas por Paulo Beto são construídas sob batidas obscuras e fazem referência direta às cenas new wave e synthpop dos anos 1980. Na maior parte do disco, Juliana canta de forma glacial versos que remetem à poesia concreta (“Energia”, “Pa ra da”). Em “Estabelecimentos” ela quebra o gelo: “Você não vale nada!”, grita.
AVALIAÇÃO bom ★★★
OUÇA “Reunião Inútil”, “Estabelecimentos” e “Energia”

CUT COPY – HAIKU FROM ZERO
Em “Haiku from Zero”, os australianos abandonam a psicodelia de “Free Your Mind”. Se o disco de 2013 abraçava o “summer of love” e a cena house da década de 90, a nova empreitada mira na new-wave funkeada esculpida pelo Talking Heads. O cardápio dançante vai de synths com grooves tropicais (“Standing in the Middle of the Field”) a refrões afogados de eco (“Stars Last Me a Lifetime”). A festa termina com a calminha “Tied To The Weather”, flerte com a música eletrônica ambiente.
AVALIAÇÃO bom ★★★
OUÇA  “Black Rainbows”, “Airbone” e “No Fixed Destination”

 

MOUNT KIMBIE – LOVE WHATS SURVIVES
O duo formado por Dominic Marker e Kai Campos fez escola nos trilhos milimétricos do dubstep, mas em “Love What Survives” optaram pelo ritmo desenfreado do krautrock. O fio condutor está na belíssima “Blue Train Lines”, momento em que a dupla coloca uma linha de baixo borbulhante e guitarras com efeitos de pedais distorcidos e sintetizadores desenfreados a serviço das rimas guturais do rapper inglês King Krule.
AVALIAÇÃO muito bom ★★★★
OUÇA   “Four Years and One Day”, “Blue Train Lines” e “SP12 Beat”

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