Pet Shop Boys faz show multicolorido e repleto de hits em São Paulo

Por Alex Kidd

Por duas horas, a espaçonave multicolorida do Pet Shop Boys despejou hits na pista quase lotada do Espaço das Américas na última terça (19). Livres da apresentação cronometrada do Rock in Rio, a dupla de synthpop formada por Neil Tennant e Chris Lowe nascida nos anos 1980, não economizou: tocaram “West End Girls”, “It’s a Sin”, “Se a Vida É”, “Opportunities”… foram 8 músicas a mais.

Na primeira meia hora, o duo priorizou canções de “Electric” e “Super”, os dois últimos (ótimos) discos produzidos por Stuart Price, mago inglês especialista em revigorar o som de titãs como Madonna e New Order.

É o caso do último single “The Pop Kids”, house nostálgico em que Tennant relembra com ironia os anos 90. “Nós éramos tão sofisticados, dizendo para todo mundo que o rock era superestimado”, ele canta sob batidas inebriantes.

Os novos arranjos são alinhados com um impressionante jogo de luz e cenografia sci-fi. Neil, sempre elegante, trocou diversas vezes de figurino, mantinha uma postura de cavaleiro inglês e se esforçava em falar palavras em português.

A lenta “Home and Dry” funcionou como uma bela pausa para respirar e apreciar os belíssimos timbres de sintetizadores criados por Christopher Lowe (ele emendou com uma jam instrumental enquanto Tennant trocava de roupa). Parecia abdução.

Neil retorna com uma jaqueta brilhante e grita: ”Vocês são garotos fabulosos”. É hora de uma versão pomposa de “Go West”, hino gay do Village People e cantado em plenos pulmões pela plateia. No bis, a techno-salsa de “Domino Dancing” e o cover açucarado de “Always On My Mind” consagram a noite.

Gay assumido e ativista da causa LBGTI (ele esteve envolvido no processo que levou o Governo Britânico a perdoar o cientista gay Alan Turing condenado por indecência no longínquo ano de 1952) , Tennant não fez nenhum comentário explicito sobre a polêmica liminar que permite que psicólogos possam tratar gays e lésbicas como doentes. Talvez porque o espetáculo dançante, celebratório e diverso criado pelo PSB seja autoexplicativo.