‘Estamos mais próximos do universo da arte contemporânea’, diz Chico Dub, curador do Novas Frequências

Por Alex Kidd
Chico Dub_crédito Coletivo Clap
O curador Chico Dub. (Foto Coletivo CLAP/Divulgação)

Começa neste sábado (3) a sexta edição do festival de música experimental Novas Frequências que ocupará a cidade do Rio de Janeiro com performances de 45 artistas de 15 países diferentes. A grande novidade deste ano é a parceria dos organizadores com o SHAPE, uma plataforma voltada para música, a arte sonora e a performance audiovisual fundada por festivais e centros culturais da Europa. Falamos com o curador Chico Dub.

O que difere esta edição das anteriores?
Na essência, estamos mantendo o mesmo formato descentralizado. Gosto da ideia de trabalhar com uma variedade de ambientes, lugares, moods e arquiteturas. Quanto mais espaços diferentes, maior a chance de experimentar novas linguagens e conceitos. Em 2016, as novidades dizem respeito a uma ocupação no Galpão Gamboa e quatro shows no Leão Etíope do Méier, que é o apelido de uma praça pública localizada no Méier, Zona Norte do Rio. 

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Jamie Stewart , vocalista da banda californiana Xiu Xiu que se apresenta neste sábado (3), no Galpão Gamboa.

Como foi feita a curadoria do festival?
Temos este ano uma parceria com a plataforma europeia SHAPE [sigla para Sound Heterogenous Art and Performance In Europe] que é uma plataforma com financiamento do programa Creative Europe da União Europeia. O SHAPE é formado por 16 festivais e centros de arte da Europa e selecionamos 13 artistas deles para o Novas Frequências. Esse foi o ponto de partida da curadoria deste ano. No exato momento em que eu consegui viabilizar esses artistas, comecei a pensar no resto, nos complementos. Se de um lado eu tinha muita gente ligada à club music e arte sonora,de outro trouxe um pouco de improvisação, noise e rock. Também é importante falar sobre a rodada de negócios, algo que nunca havíamos feito antes. Estamos colocando diversos atores da cena brasileira – artistas, curadores, donos de selos, produtores, promotores… – em contato direto com curadores e diretores artísticos de festivais europeus membros da SHAPE.

Houve um cuidado em equilibrar nomes nacionais com estrangeiros?
Com certeza! A partir do ano passado isso virou nossa prioridade. Cada vez mais acredito que precisa ser meio a meio: 50% de artistas nacionais, 50% de artistas internacionais. Precisamos fomentar mais a cena local, oferecer oportunidades, projetos comissionados, experiências desafiadoras. Inclusive tentando ajudá-los a ampliarem seus horizontes artísticos e profissionais, colocando-os em contato com artistas e profissionais de outros países.

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Instalação sonora do artista Tunga criada para a edição do ano passado. (Foto Coletivo CLAP/Divulgação)

O que viabiliza um festival com as peculiaridades do Novas Frequências?
Patrocínios, parcerias e colaborações. Com 43 artistas de 13 países, instalações, projetos comissionados e uma ocupação, seria impossível fazer um evento que dependesse apenas de bilheteria. Estamos muito fora do mercado musical mais tradicional, nossos artistas são completamente desconhecidos do grande público. Por isso digo que somos muito mais próximos do universo da arte contemporânea do que da música como entretenimento. Experiências como as que a gente proporciona precisam de incentivo, são elas, em potencial, que mostram outras formas de arte, novas linguagens e propostas muito diferentes do lugar comum.

O Tomorrowland 2017 foi cancelado. Acredita que o conceito de grandes festivais continua sendo viável?
É inegável que num processo de crise, eventos com produções muito custosas tendem a sofrer mais dificuldade de realização. Mas espero que outros eventos similares em relação a tamanho não sofram cancelamento. De alguma forma, todos os realizadores de festivais sofrem quando isto acontece. Fazemos parte do mesmo ecossistema.

NOVAS FREQUÊNCIAS
QUANDO de 3 a 8 de dezembro
ONDE Galpão Gamboa, Audio Rebel, Leão Etíope do Méier, Fosfobox, Oi Futuro Ipanema (mais informações no site)
QUANTO de R$20 a R$40
CLASSIFICAÇÃO 18 anos