Cinco perguntas para Grace Jones

Por Alex Kidd

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Após inúmeras tentativas, finalmente falamos com Grace Jones. Em entrevista feita por telefone para o 120 BPM, a cantora jamaicana relembra o início da carreira em Nova York e diz que, aos 68 anos, nunca conheceu o sucesso comercial. “Dar o meu melhor é o que me sustenta”, diz. Ela se apresenta nesta sexta (18) na festa D-Edge, no Tom Brasil e promete um repertório de clássicos como “I Need a Man”, “La Vie En Rose” e “Pull Up to the Bumper”.

Você começou sua carreira em Nova York na década de 70. Como era ser artista, modelo e cantora naquela época?
Antes de tudo eu tinha que pagar meu aluguel! (risos). Na verdade eu queria ser atriz, mas consegui um contrato musical com a Island Records e gravei meu primeiro disco, que funcionou nas paradas de sucesso. Como ainda era modelo, ficava com um pé em Nova York e outro em Paris. Eram tempos excitantes…

Havia mais ingenuidade na cena musical?
Havia mais originalidade. Claro que, assim como hoje, se você criasse algo original, todo mundo iria copiar. Todos querem fazer sucesso! Mas eu acho que hoje existem mais pessoas copiando e menos pessoas que são genuínas.

Seus discos e shows sempre foram elogiados pela originalidade. Acha possível manter uma olhar fresco e e ainda ter sucesso comercial?
Não acho que tenha tido sucesso comercial. Ainda sou uma artista underground. Acredito que, se ainda faço algum dinheiro, é porque mantenho minha integridade e tenho certeza de que estou dando 100%, 200% no palco. Nos meus shows, não uso nenhum truque ou bases de estúdio para acompanhar minha voz. Dar o meu melhor é o que me sustenta.

Como filha de imigrantes jamaicanos, qual sua opinião sobre a eleição de Trump e da onda conservadora que o mundo passa?
Honestamente tenho que esperar e ver aonde isto vai dar, mas não acho que seja coisa boa.  Não vejo como lutar contra essa onda porque ela está cada vez maior.  Esse sentimento retrógrado já vem acontecendo há muito tempo, você vai precisar ser Jesus se quiser combatê-lo! É como se fosse um jogo no qual somos bonecos sendo manipulados. Alguém surge prometendo coisas que não pode cumprir, as pessoas se desapontam e este círculo se repete inúmeras vezes.  Vai demorar para as coisas mudarem, então prefiro deixar para a mãe natureza.

Na sua autobiografia, você dedica um capítulo com inúmeros conselhos para as novas cantoras. Se pudesse voltar no tempo, que dicas daria para a jovem Grace Jones?
Focar a sua visão, mesmo que todo mundo diga que é a direção errada. Saber exatamente o que você quer é sua grande força e com sorte você acabará encontrando um, dois ou três malucos que estão na mesma sintonia e irão te ajudar, porque leva tempo para aprender e mais tempo ainda para se tornar sábio. 

GRACE JONES
QUANDO sex. (18), às 23h, em São Paulo, e sáb. (19), à 1h, no Rio
ONDE festa D-Edge, no Tom Brasil (r. Bragança Paulista, 1.281, tel. 11-4003-1212), em São Paulo, e festival Back2Black, na Cidade das Artes (av. das Américas, 5.300, tel. 21-3325-0102), no Rio
CLASSIFICAÇÃO 18 anos, em São Paulo, e 16 anos, no Rio
QUANTO R$ 250 a R$ 590, em São Paulo, e R$ 250 a R$ 400, no Rio; no site ingressorapido.com.br