Sobrinha-neta de León Theremin se apresenta em São Paulo

Por Alex Kidd

LydiaKavina

A compositora russa Lydia Kavina, sobrinha-neta de Léon Theremin, o criador do inusitado instrumento eletrônico controlado sem contato físico (o teremim), se apresentará em São Paulo no dia 4 de agosto no Sesc Campo Limpo. Ela já trabalhou com o Tim Burton na trilha do filme “Ed Wood” e tocou ao lado da Orquestra Sinfônica de Londres. O 120 BPM fez cinco perguntas para a musicista.

Como era o seu relacionamento com Theremin?
Ele foi o primeiro primo de meu avô e começou a me ensinar a tocar o instrumento quando eu tinha nove anos. Ele era tranquilo e sua personalidade me influenciou bastante. Ajudá-lo a popularizar o instrumento virou uma missão para mim.

O que fascina no instrumento? 
Um aspecto é a aparência incomum da performance. As pessoas se surpreendem com a música sendo criada no ar, feito mágica. No teremim, o som reage a qualquer movimento de quem o está tocando e a imagem dessa conexão imediata tem certo magnetismo. Outro aspecto é o próprio som, animado e não humano ao mesmo tempo, forte, mas inseguro e flexível. Acho que por isso ele ficou muito popular no cinema para servir de trilha para sentimentos, personagens e imagens incomuns.

Você colaborou com Howard Shore na trilha sonora do filme “Ed Wood”, de Tim Burton. Como você traduziu o seu som para que ele se encaixasse no universo de Burton?
Isso aconteceu em 1994 e foi realmente a minha primeira experiência com gravação de trilha sonora para um filme. O teremim se encaixa na música de “Ed Wood” extremamente bem, por tratar-se de uma história sobre um diretor de cinema Sci-Fi. Mais recentemente, fiquei feliz por tocar nos shows do Tim Burton com música de Danny Elfman para “Marte Ataca!”, “A Fantástica Fábrica de Chocolates” e outros. Tocar essas trilhas de filmes é sempre uma grande diversão e o público geralmente fica muito animado.

O artista brasileiro Jorge Antunes escreveu a canção “Mixolydia” especialmente para você. Como foi trabalhar com ele?
Jorge costumava envolver o teremim em suas primeiras composições. Em 1995, ele escreveu-me sobre a sua ideia de compor uma peça para teremim e sons de computadores do estúdio em Bourge, onde ele trabalhava na época. Enviei-lhe minhas gravações para inspiração. A estreia de “Mixolydia” ocorreu em Moscou. Em 1997, eu fui a Brasília, a convite de Jorge, para um festival de música eletrônica. Eu toquei “The First Airphonic Suite” para teremim e orquestra, de Joseph Schillinger, e Jorge conduziu a orquestra.

Como vê o uso do teremim na música clássica e na popular?
Ele é um instrumento universal porque se adapta a qualquer tipo de música e arte. Hoje, o número de pessoas que o dominam cresce em progressão geométrica. É interessante ver como cada +novo músico incorpora o teremim no seu mundo e o usa de forma completamente diferente.


LYDIA KAVINA – MÚSICA QUE VEM DOS GESTOS
QUANDO 4 de agosto
HORÁRIO 20h
ONDE SESC Campo Limpo (R. Nossa Sra. do Bom Conselho, 120 – Campo Limpo, São Paulo)
QUANTO grátis
CLASSIFICAÇÃO Livre