Chemical Brothers hipnotiza o público do Sónar São Paulo

Por Alex Kidd
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Ed Simons e Tom Rowland do The Chemical Brothers / Foto: Eduardo Magalhães/Divulgação

Depois da edição blockbuster de 2012 (dois dias de shows lotados no Anhembi), o Sónar São Paulo voltou modesto. Realizado no último sábado (28), no Espaço das Américas, o festival reuniu 6.500 pessoas (foram postos à venda 8.000 ingressos). O preço salgado dos bilhetes (R$ 550) afastou o público que só lotou o espaço com a distribuição maçica de ingressos VIP. “Ganhei oito convites numa promoção”, disse o estudante Vinicius Garcia, 25.

O contratempo não tirou o brilho musical do evento, que teve uma escalação impecável. O 120 BPM selecionou os destaques.

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Evian Christ e as luzes / Foto: Eduardo Magalhães/Divulgação

SEM GÊNERO

O britânico Evian Christ pôde mostrar ao vivo por que encantou o rapper Kanye West. Suas batidas que iam do trap ao hip-hop eram inclassificáveis. Os poucos que assistiram ficaram de queixo caído com o sistema de luzes e fumaças montado no palco durante a apresentação.

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O DJ francês Brodinski / Foto: Eduardo Magalhães/Divulgação

SALADA MISTA

A casa começou a encher quando Brodinski subiu pontualmente às 23h. O francês atirou para todos os lados. Foi do techno, acenou para a house e terminou seu set com o pancadão de “Us”, single do seu último disco “Brava”.

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THE CHEMICAL BROTHERS ! / Foto: Eduardo Magalhães/Divulgação

ED SIMONS VEM AÍ!

Quando todo mundo já estava conformado com o fato de que Ed Simons estava entregando seu TCC na Inglaterra e não viria ao Brasil, ele aparece todo serelepe no palco com o brother Tom Rowlands. O Chemical Brothers não perdoou e já abriu com “Hey Boy Hey Girl” para não deixar dúvida de que eles eram os donos da noite. Foi hit atrás de hit:  “Do it Again”, “Setting Sun”, “Galvanize”, “Star Guitar”…  A fusão de som e imagem era catártica e deixou o Espaço das Américas em transe. A parafernália da dupla era monstruosa, com vários sintetizadores e bugigangas. Uma pessoa comentou: “Deve ter até um unicórnio ali no meio!”. Os alquimistas terminaram seu set com “Block Rockin’ Beats”. A pista entrou em combustão.

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Zopelar e a geladeira de energéticos / Foto: Eduardo Magalhães/Divulgação

MENINO DE OURO

Zopelar tocou no melhor horário. Depois do Chemical Brothers e antes do Hot Chip. A responsabilidade era grande. Depois da surra sonora do Chemical, ele optou por um set de transição, mais calmo, chique e elegante. Uma turma se concentrou na frente e embarcou na proposta. O brasileiro começou meio tenso, mas terminou com cara de missão cumprida.

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Alexis Taylor do Hot Chip / Foto: Eduardo Magalhães/Divulgação

TROPICÁLIA

Com vários instrumentos e uma banda completa no palco, o Hot Chip atrasou. Os ingleses abriram com uma versão lenta de “Huarache Lights” e, após tocarem algumas músicas do último disco, “Why Make Sense”,  apelaram para os hits. “Over and Over”, “I Feel Better” e “Ready For the Floor” estavam com uma roupagem tropical. O vocalista Alexis Taylor fez uma discreta troca de figurino e tirou uma camisa de manga longa estampada para revelar outra camisa de manga longa estampada. Foi quando ele anunciou a última música: um cover de “Dancing in the Dark”, clássico do Bruce Springsteen. A ideia ficou ainda melhor quando Taylor emendou “All My Friends”, hino do LCD Sounsystem. Feito festa de firma, várias pessoas se abraçavam e renovavam os votos de amizade.

Que venha o Sónar 2016!