Banda Babá Eletrônica faz músicas dançantes para crianças

Por Alex Kidd

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Pais, seus problemas acabaram.

Imagine uma banda “eletrônica-pop-alternativa-krautrock infantil” que tivesse em seu repertório versos como “Cenoura, chuchu, beterraba / É o punk dos legumes / Você vai ter que engolir!”.

Formado por Lulina, em parceria com os músicos Leo Monstro e Habacuque, o Babá Eletrônica surgiu em 2014. “A ideia era fazer algo com sonoridade mais alternativa e eletrônica para a criançada”, diz a cantora.

Confira o bate-papo do 120 BPM com Lulina.

Como surgiu o Babá Eletrônica?
Em 2014, quando a revista infantil YoYo me convidou para fazer um show no lançamento de mais uma edição deles. Aproveitei o convite para finalmente montar uma banda voltada só para crianças, um desejo antigo meu. Chamei o Leo Monstro, e também o amigo Haba (Habacuque Lima) e, em duas semanas e com apenas dois ou três ensaios, levantamos o Babá. A banda ainda está em gestação. Com a saída de Haba, estamos só eu e Leo (e de vez em quando algum músico convidado).

De onde veio a ideia do “Punk dos Legumes?”
O “Punk dos Legumes” era uma dessas músicas antigas, guardada há pelo menos uns 8 anos. A versão original se chamava “Heavy Metal dos Legumes”. O arranjo na versão original era mais barulhento e gritado. Testando timbres e batidas chegamos no punk e compusemos juntos a nova estrutura e o restante da letra da canção.

A canção “Babá Eletrônica” tem um arranjo que lembra bastante as trilhas do jogos do Super Mario. Quais instrumentos e referências vocês tiveram na hora de compor as músicas?
Cresci jogando tudo o que a Nintendo lançava. Pirava nas trilhas da maioria dos jogos – tanto que costumava gravá-las em fitas k7, no microsystem ao lado da TV, enquanto jogava. Somando isso ao fato de o Leo já ter certa intimidade com música eletrônica e com o Haba cheio de brinquedos em seu estúdio – em especial uma bateria eletrônica – chegamos nessa sonoridade que em alguns momentos lembra mesmo videogame. Mas a maior parte das composições surgiu só na guitarra, em casa, e ganhou corpo com os arranjos eletrônicos.

A banda testa as canções com os pequenos? Quais as reações?
A gente testa nos shows mesmo. No primeiro deles, a reação das crianças foi mais legal do que a gente podia imaginar. Dançaram, pediram pra cantar no microfone, nos abraçaram, trocaram ideia, foi inesquecível! Mas também tem show em que elas não estão nem aí: querem mais é correr e brincar nas redondezas. E isso também é muito legal, simplesmente fazemos a trilha sonora da brincadeira delas. Canções como “Criança Elétrica”, “Mimimimimadinhos” e o “Punk dos Legumes” se destacam quase sempre, por gerarem uma identificação com as crianças. Sempre tem uma que grita “eu gosto de legumes!”, ou “eu sou uma criança elétrica!”.

Você acha que faltam projetos musicais que dialoguem com as crianças de forma mais inventiva?
Acho que existem vários projetos maravilhosos. Adriana Partimpim, Pequeno Cidadão e recentemente o disco “Zoró”, de Zeca Baleiro, são só alguns exemplos. Cada um buscando, do seu jeito, mais liberdade sonora e de temas pra dialogar com os pequenos. Uns preferem modernizar clássicos, outros preferem compor sobre questões mais contemporâneas. Acho tudo válido, se o intuito é se conectar com as crianças.

O primeiro disco vai ser lançado em um aplicativo. Como ele vai funcionar?
A nossa ideia é criar canais para tornar a música mais interativa. Além do formato CD, queremos lançar o disco em um aplicativo em que a criança possa tocar a música junto, apertando alguns botões e interferindo no arranjo. 

Você acha que a tecnologia está influenciando os músicos do futuro?
Sim, mas acredito que é só mais um meio para sermos criativos com a música. Com as crianças essas tecnologias precisam ser usadas com moderação, para não atrapalhar no desenvolvimento saudável delas.

O que você ouvia quando era criança?
Discos de historinhas da Dona Baratinha e do Patinho Feio, discos do Balão Mágico, Trem da Alegria, Xuxa, Saltimbancos e também os discos da minha mãe… de Beatles à Jovem Guarda!